Temer disse que não acredita que a posição dos empresários possa ter um impacto político.

Temer disse que não acredita que a posição dos empresários possa ter um impacto político.

O presidente Michel Temer disse nesta sexta-feira (21), ao final da Cúpula do Mercosul, que “entende a reação da Fiesp” com relação ao o aumento dos impostos cobrados sobre os combustíveis anunciado nesta quinta-feira (20).

Temer disse que não acredita que a posição dos empresários possa ter um impacto político.

“A reação deles é natural, ninguém quer tributo. Na verdade, quando todos compreenderem o motivo, que esse imposto é fundamental para incentivar o crescimento, para manter a meta fiscal, para alcançar a estabilidade do país, essa matéria logo será superada. Nós estamos dialogando, e creio que todos compreenderão.”Acrescentou que, por enquanto, “não há previsão de aumentar outros impostos, mas haverá diálogo e observação sobre este tema.”

E voltou a lembrar, “quando chegamos ao governo estávamos com a síndrome da CPMF, todos esperavam, achavam que nós iríamos voltar com a CPMF. Nós não o fizemos, agora, meses depois, viemos com esse aumento, que é apenas dos combustíveis.”

Associações da indústria criticaram a decisão do governo Michel Temer de aumentar.

Em resposta, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) resgatou o pato, símbolo da campanha contra a recriação da CPMF em 2015 e nos protestos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

“Não cansaremos de repetir: Chega de Pagar o Pato. Diga não ao aumento de impostos! Ontem, hoje e sempre”, diz a nota divulgada pela entidade.

A federação argumenta que o aumento do tributo vai recair sobre uma sociedade “já sufocada, com 14 milhões de desempregados, falta de crédito e sem condições gerais de consumo”, o que vai levar a um agravamento da crise econômica.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) também defendeu que o governo ajuste suas contas cortando gastos no lugar de aumentar impostos.

Em nota, a entidade diz que o aumento “penalizará ainda mais as empresas, que estão com as finanças debilitadas pela recessão”.

Nesta quinta, ao chegar a Mendoza, Temer já havia dito que “a população brasileira irá compreender [o aumento de impostos], “porque este é um governo que não mente, que não dá dados falsos.”

ALTA NOS IMPOSTOS

O governo dobrou as alíquotas de PIS e Cofins da gasolina e elevou em 86% a do diesel. O resultado é que, a partir desta sexta (21), o litro da gasolina poderá sofrer reajuste de até R$ 0,41, e o do diesel, de R$ 0,21. No etanol, a alta poderá chegar a R$ 0,20.

O governo espera arrecadar R$ 10,4 bilhões até o final deste ano com a medida. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o aumento de tributos era a única saída neste momento para elevar as receitas do governo, que vêm diminuindo com a recessão.

Segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, “tudo o que fazemos é para beneficiar o bolso do cidadão. Ganhando mais, com emprego e com menos inflação”.

“A inflação está reagindo bem, está caindo bastante. O momento em que se poderia fazer esta medida era agora, quando há espaço ainda na inflação, com previsão de ficar abaixo da meta”, disse o ministro em Mendoza.

Economistas preveem que a elevação das alíquotas de PIS/Cofins sobre combustíveis deve adicionar entre 0,5 ponto e 0,6 ponto percentual à inflação de 2017.

No acumulado em 12 meses até junho, a inflação ficou em 3%, abaixo da meta oficial do governo, de 4,5%. Desde abril deste ano que o índice acumulado vem mais baixo do que a meta -algo que não ocorria desde agosto de 2010 e o mais baixo desde março de 2007, quando o indicador foi de 2,96%.

Além do aumento de impostos, o governo congelou mais R$ 5,9 bilhões em despesas, aprofundando o arrocho na máquina pública e pondo em risco a continuidade de serviços no próximo mês.

Em março, a equipe econômica já tinha bloqueado R$ 42 bilhões do Orçamento, mas pouco depois foi preciso liberar R$ 3 bilhões para gastos obrigatórios com saúde.

Em busca de apoio no Congresso para barrar a denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público contra ele, o presidente Michel Temer também liberou R$ 1 bilhão para projetos patrocinados por parlamentares em suas bases eleitorais.

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