Morre cardeal americano Bernard Law, envolvido em escândalo de pedofilia

O cardeal americano Bernard Law (esq.), em 17 de abril de 2014, na Basílica de São Pedro, em Roma

O cardeal americano Bernard Law (esq.), em 17 de abril de 2014, na Basílica de São Pedro, em Roma

Envolvido em um enorme escândalo de padres pedófilos nos Estados Unidos, o cardeal americano Bernard Law faleceu nesta quarta-feira (20), aos 86 anos – anunciou o Vaticano.

No início de 2002, o cardeal Law, na época arcebispo de Boston, reconheceu que protegeu o então padre Paul Shaney, sobre quem pesavam várias provas de abuso sexual contra crianças.

Ele também foi acusado de ter transferido o padre John Geoghan, de paróquia em paróquia, apesar de saber que era suspeito de ter abusado de 130 crianças.

Após o escândalo, Law abandonou a arquidiocese de Boston, mas foi nomeado arcipreste da basílica de Santa Maria Maggiore, o que significa que integrava a Cúria Romana (governo do Vaticano).

Uma investigação do jornal “Boston Globe” revelou como a hierarquia da Igreja Católica local, com o cardeal Law à frente, acobertou de forma sistemática, e geralmente cínica, os abusos sexuais cometidos por quase 90 padres de Boston e seus arredores durante várias décadas.

A série de reportagens rendeu o prestigioso Prêmio Pulitzer ao jornal.

Centenas de vítimas testemunharam sobre os abusos.

“Spotlight”, que venceu o Oscar de melhor filme em 2016, conta a história da investigação do “Boston Globe” dando voz aos sobreviventes.

Grandes escândalos de pedofilia agitaram a Igreja católica no início dos anos 2000, do México à Alemanha, passando pela Irlanda, onde um único padre reconheceu ter abusado sexualmente de mais de 100 crianças.

Mil vítimas em 60 anos

Nascido em 4 de novembro de 1931, na cidade mexicana de Torreón, e filho de um coronel da Força Aérea americana, Law cresceu em bases militares.

Estudou História Medieval na Universidade de Harvard. Começou estudos religiosos em 1953 e foi ordenado sacerdote no Mississippi em 1961.

A polêmica o acompanhou após sua renúncia como arcebispo de Boston por ter obtido a nacionalidade vaticana e ter sido nomeado arcipreste de Santa Maria.

Dois representantes das vítimas de pedofilia protestaram na Praça São Pedro contra a celebração de uma missa em memória do papa João Paulo II pelo cardeal Law.

A diocese de Boston tem mais de dois milhões de católicos. Durante 60 anos, mais de 1.000 crianças foram abusadas sexualmente por 237 sacerdotes, de acordo com um relatório do Departamento de Justiça do estado de Massachusetts.

O atual arcebispo de Boston é o cardeal Sean O’Malley, um franciscano de reputação íntegra.

Ele também foi nomeado chefe de uma comissão do Vaticano encarregada há três anos de fazer recomendações para prevenir casos de pedofilia. Esta comissão, que acaba de concluir seu mandato, deve ser renovada nas próximas semanas.

O prelado recebeu algumas vítimas de padres pedófilos no dia de sua posse, em 1º de julho de 2013. Uma de suas primeiras decisões foi vender a residência do arcebispo para arrecadar dinheiro para o pagamento de indenizações.

O papa Francisco declarou “tolerância zero” com os casos de pedofilia, mas foi acusado de ser muito brando com os pedófilos ao incluí-los na política geral de misericórdia que promove em toda Igreja.

Também foi acusado de promover bispos acusados ​​de encobrir religiosos pedófilos.

O cardeal australiano George Pell, número três do Vaticano, foi indiciado no final de junho por “crimes de agressões sexuais”, de acordo com a Polícia australiana.

Ele foi afastado do cargo “provisoriamente” para enfrentar a Justiça de seu país. Cerca de 50 testemunhas poderiam ser convocadas em março para audiências em Melbourne para determinar se Pell deve ser julgado por agressão sexual.

Nomeado arcebispo de Melbourne em 1996 e de Sidney em 2001, Pell foi acusado em 2002 de abuso sexual por eventos supostamente muito antigos, mas foi absolvido pela Justiça.

O papa Francisco o nomeou em 2014 para dar maior transparência às finanças do Vaticano

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